Pegou gripe no inverno europeu? Insolação em Cancún? Comeu tagine no Marrocos e passou mal? Nada disso é problema para quem viaja com seguro. Em muitos países, é obrigatório o turista ter essa cobertura, como nos 27 países que integram o Tratado Schengen e em Cuba. Já ouvi muita gente dizendo que é besteira fazer um plano de seguro de viagem, afinal, é caro (dependendo de quanto tempo você for ficar no local). Porém, é um mal necessário. É o famoso “é melhor ter”.
Quando eu estava morando em Londres, pensava que era uma besteira ter o seguro, pois todo mundo me dizia que eu podia usar o serviços médicos de lá e, dependendo do que fosse, sem custos. Se é verdade ou não, não sei. Não quis pagar para ver e fiz o seguro, mesmo sabendo que para a Inglaterra não era obrigatório. Lá, um belo dia acordei com uma alergia e, em vez de entrar em desespero, pensei: “Agora vamos ver se o dinheiro que paguei no seguro vai valer a pena”. Vai soar estranho, mas eu estava realmente empolgada para acionar o serviço e ver os resultados.
Meu seguro era da Coris (já usei da Isis também, mas não posso informar nada, pois não cheguei a acionar). Então, mais ou menos umas 22h, eu liguei na central da empresa. O número está no cartão que eles te dão ou você pode entrar no site. Peguei o número que indicava para quem estivesse no Reino Unido e disquei. Era um 0800. A moça me atendeu em português. Perguntou meu nome, número do voucher (do seguro), meu endereço em Londres, celular de lá e qual era o motivo. Disse que ligaria para o posto médico mais próximo e uma atendente do posto me ligaria, em até 40 minutos, para marcar a visita ao médico.
Passaram-se apenas 10 minutos e atendente londrina me ligou (parece que, se você não fala a língua local, eles tentam achar um médico que fale português, mas é difícil). A moça perguntou se era uma emergência – eu disse que não -, se eu preferia ir até o médico ou se queria que ele fosse em casa. Eu, surpresa, perguntei se era possível mesmo ele ir em casa no mesmo dia. Ela disse que sim. Bom, claro que escolhi essa opção. A atendente conferiu meu endereço e disse que iria verificar qual era o médico que estava mais próximo da minha casa e me ligava em seguida.
Depois de alguns minutos – bem poucos, na verdade -, ela me retornou e disse que, como não era uma emergência, o médico estaria em casa em até 1h. Bom, tudo bem. Não era nada que ia me matar, só era incômodo e eu já havia tido aquilo uma vez. Fiquei fazendo hora, vendo filme, comendo, essas coisas que você faz quando está de molho. Quando era meia-noite, o médico me ligou e disse que estava preso no trânsito, perguntou se eu estava bem e disse que chegaria em breve. Achei atencioso. Uns 20 minutos depois, ele chegou em casa. O médico foi bem prestativo. Me examinou, receitou alguns remédios e bateu um papo. Eu pedi por uma atestado, pois tinha perdido aula naquele dia. Infelizmente, o seguro não cobre atestado médico, o que me fez gastar 25 libras para tê-lo. Foi uma facada.
Ele me fez assinar uns papéis e logo foi embora. Durou coisa de 15 minutos. Quando vi a papelada, lá tinha o preço da consulta, isto é, quanto me custaria se eu não tivesse o seguro. Uma rápida consulta custaria 232 libras! Somando as 25 libras do atestado, tudo daria 257 libras. Convertendo em reais, essa brincadeira sairia por quase 800 reais. Logo constatei que era melhor pagar os 200, 300 reais de seguro e parcelar do que ter que desembolsar 800 reais de uma vez. Tem coisa que “é melhor ter”.
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